quarta-feira, 28 de maio de 2008

Hoje

O mês de Maio tem sido uma verdadeira prova de fogo.

Uma agenda cheia de compromissos e reuniões laborais quase diárias. Alguns desses compromissos demonstravam-se como verdadeiras batalhas para as quais não me sentia preparado. Contudo, para grande espanto meu, fui vencendo cada uma das batalhas e, a meu ver, até estavam a correr bem... O que me animou e me fazia andar bem disposto.

No entanto, neste último fim-de-semana uma indisposição alimentar fez com que o meu corpo perde-se toda a energia que lhe restava. Estou, sinto-me cansado, doi-me o corpo todo e em termos de saúde não estou a 100%. A minha luta diária é simplesmente não cair de febre pois, nesta altura, ficar doente é um luxo a que não me posso dar.

Assim, a batalha desta semana tem sido ter forças todas as manhãs para me apresentar em todas as reuniões programadas e assegurar o meu trabalho bem feito para os clientes.

Mas hoje, hoje... Hoje tive uma reunião com um dos meus chefes e uma colega de trabalho. Nessa reunião assisti ao meu chefe a dar uma descompostura descomunal à minha colega, por ela, que é responsável pela venda de uns apartamentos, não estar a explicar tudo da forma que o senhor desejava. A minha colega não é vendedora e não foi contratada para tal, no entanto, para colmatar uma temporária (que se tornou cada vez mais definitiva) falha de pessoal, assumiu a função de vendedora que deverá exercer ao mesmo tempo que a sua verdadeira função de Engenheira Civil.

É após esta discussão, por assistir à total arrogância e desprezo com que um chefe valoriza o esforço e o trabalho demonstrado por um dos seus colaboradores, que me pergunto "será que valerá assim tanto a pena o esforço que me dedico a este trabalho?"

Hoje fiquei fisicamente e psicologicamente doente.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Pé de elástico

Tudo começou com um convite para café… convite para café mas com planos de caminhada acoplada. Assim foi! Encontro nos arredores de Sintra. O percurso estipulado para percorrer seria de 2,80 km aproximadamente (os amigos são pessoas experientes neste percurso, com tudo medido até ao milímetro).

Caminhar? Caminhar é fácil… nisso também sou experiente, vamos a isso!! – Pensei eu… Até aos primeiros 100m.

Esta gente não brinca em serviço. Foi caminhada, mas quase em passo de corrida. Lá fui eu atrás do grupo, a tentar acompanhar, com o único intuito de não me perder dos restantes elementos. Os 2,80 km transformaram-se facilmente em 5 km. Desta vez os amigos decidiram não fazer os corta-matos do costume, mas sim o caminho mais longo (o que foi óptimo como estreia para mim…).

Não sei bem como foi, se enquanto tentava percorrer a calçada dos passeios adjacentes às estradas ou se quando ia mesmo pelo alcatrão a tentar combater os desníveis do asfalto… só sei que no final da caminhada senti um pequeno desconforto no pé direito, ao qual não dei a mínima importância… mesmo quando cheguei a casa e me doíam os dedos dos pés.

Hoje quando me levantei de manhã doía-me ligeiramente o pé mas nada preocupante. Devo ter dado um jeitito qualquer – Pensei eu. À hora de almoço já me dava ao “luxo” de coxiar, não conseguindo colocar na totalidade a planta do pé no chão. No final do dia foi uma verdadeira aventura voltar para casa. Vim quase ao pé coxinho e bufando um pouco com a dor.

Está apenas incomodativo, mas não inchado. Recuso-me em ir ao hospital (hospital só mesmo em ultimo caso…). O certo é que agora tenho o pé assim, com um novo acessório. O certo é ter de descansar o pé para recuperar rapidamente. O certo é que não o vou fazer. Todos os dias ando cerca de uma hora na rotina de ir e vir do escritório e por muito que tente não consigo andar devagar.


E isto acontece-me logo agora que andava mais entusiasmado com o ginásio… Lá vou eu ter que parar por alguns tempos (isto se calhar é um sinal… é o destino ;)).

segunda-feira, 24 de março de 2008

Life...


Hoje tive uma reunião numa empresa na área da medicina do trabalho. Essa empresa gere o posto médico de uma grande empresa.

A meio da reunião o meu anfitrião explicava-me que, felizmente, nos últimos 20 anos, tinham sido poucos os acidentes de trabalho que resultaram na morte do trabalhador no desempenho da sua actividade. Embora poucos, e por essa razão, ainda me descreveu com algum detalhe 2 ou 3 óbitos.

É a meio das suas explicações que me percorre um arrepio na espinha. Não apenas porque sou uma “criança sensível”, com uma imaginação fértil, mas contudo com um estômago fraco, mas também porque subitamente me imaginei a dar um rosto e uma vida a esses trabalhadores. E descobri que esses trabalhadores podiam ser um “Zé”, um “António” e um “Manel”, com mulheres e filhos.

Certamente naquele dia, no último dia, saíram de casa, como saíram no dia anterior e no antes desse, e foram trabalhar, como sempre. As suas vidas, mais ou menos, seguiam a sua rotina diária. Talvez sem grandes planos, sem grandes emoções… ou com planos curtos, para o fim-de-semana, para as férias, para o próximo ano.

Sem grandes emoções ou cheias delas, esses trabalhadores tinham uma vida, uma vida anónima como todos nós, todos nós que nos cruzamos no dia a dia. No entanto, naquele dia, foi o último dessas pessoas.

Será que viveram tudo o que tinham a viver? Será que terminar a sua vida naquele dia súbito, sem escolha prévia, foi um bom acaso do destino?

Isto faz-me perceber que a vida não segue linhas rectas; que o ser humano, por muito que se ache, não é imortal. Hoje em dia, as pessoas que falecem de velhice são simplesmente seres privilegiados na sociedade.

É isto que me faz pensar e querer aproveitar cada vez mais a vida. Estar com os meus amigos sempre que posso, mas também começar a parar um pouco mais em casa junto à minha família. Seguir um pouco mais o impulso em vez de as regras. Fazer porque me apetece fazer e não porque tem ou não tem de ser feito.

Aproveitar os convites para jantares e cafés sempre que eles surgem, invés de inventar desculpas apenas porque está a chover lá fora. Enviar mensagens aquelas pessoas que já não vejo á imenso tempo a dizer que não me esqueci delas. Por vezes é tudo tão simples, só temos que aprender a viver.

A vida é simples e curta, temos de a aproveitar, pois nunca sabemos quando ela nos poderá escapar por entre os dedos.

terça-feira, 4 de março de 2008

...

Este blog anda meio parado...

... Será porque a minha vida anda tão emocionante e como tal não tenho tempo para escrever aqui neste cantinho?!

... Será porque a minha vida anda tão pouco emocionante que como tal não tenho o que escrever aqui neste cantinho?

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Segredos de mim

Hoje acordei assombrado por um desejo que não me surgia há muitos anos… Hoje acordei com um sussurro… uma voz interior… uma voz que me pediu docemente para lançar as cartas…

Esta manhã acordei com uma voz que me pedia para saber o meu futuro… como se eu fosse dono dele. É o meu futuro, é meu, pertence-me, tenho o direito sobre ele e posso, como que saltando duas páginas do livro da vida saber aquilo que me reserva, como um privilegiado, como alguns poucos seres escolhidos pelo acaso das forças da natureza o podem fazer.

Mas esta mística, este sentimento de privilégio, o poder de conhecer o desconhecido, de sentir o certo incerto, de experiênciar o inexplicável assusta-me!! Assusta-me de um modo que me fascina.

Ás vezes gostava de ter a força ea coragem para conhecer esse meu eu… o meu eu energético; o meu eu exotérico… gostava de saber viver no meu mundo cósmico de uma forma que mo permitisse compreender e interpretar, de modo a saber receber estas energias e canalizá-las de uma forma que as mesmas não me assombrem a alma, como por vezes acontece.

Gostava que a vida fosse simples ao ponto de um lançamento de cartas me permitisse ter mais certezas sobre a minha vida… me permitisse compreender melhor a mim mesmo, o meu eu exterior e interior, o meu futuro; no entanto apenas me assola o medo e a incerteza do que essa leitura poderá dizer.

Por agora fico na dúvida entre procurar no baú esse meu eu que tomo como esquecido nas memórias do passado e poucas pessoas tiveram a possibilidade de conhecer ou se o tiro do baú por algumas horas, procuro a próxima página do meu livro e o volto a guardar como se nem sequer lhe tivesse tocado…

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

F16

- “ … e o piloto do F16 ejectou-se, conseguindo escapar à queda do avião, e não morreu.”

- Ejectou-se?! Como ejectou-se?!?!

- Sim, ejectou-se! “Ejectou-se” nas veias de forma a ficar melhor com o Mundo e consigo mesmo… por isso é que não morreu.

- …

Adoro estes pequenos momentos familiares!!!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Ao telefone

Numa perspectiva profissional costumamos ter contacto com várias pessoas. A maioria delas nem sequer conhecemos pessoalmente, limitamo-nos a ouvir as suas vozes por telefone e quanto muito imaginamos a pessoa; como será, a idade, a maneira de ser…

Num ambiente estritamente profissional procuramos nem sequer dar muita confiança aos colegas, tentamos agir num meio-termo entre o formal e o informal, entre o brincalhão e o sério… tudo numa questão de imagem.

Por questões profissionais tenho estabelecido vários contactos telefónicos nos últimos tempos, com pessoas que não conheço e nunca falei. Que nem sequer imagino quem sejam. Mas tem-me acontecido uma coisa curiosa, que me faz pensar e rir da situação...

Conversa telefónica com uma pessoa que não conhecia até à hora da chamada:

- Boa tarde, estou a falar com o Sr. Eng. Veny?

- Boa tarde, o próprio.

- Sou a Dra. Xpto e obtive o seu contacto através da Eng. Xyz.

- Sim, claro, em que posso ser útil?

- ….

(5 minutos de uma conversa profissional (boring), com formalismo qb.)

- …

- Ok, Veny. Então ainda hoje envio-te a documentação que precisas.

- Agradeço.

- Beijinhos e amanhã ligo-te novamente…

- …

Nunca consigo responder à última frase.

Numa conversa que se inicia de uma forma bastante profissional e correcta, acaba sempre com a perca de algumas pompas e circunstâncias.

Ainda não percebi bem porque raio é que isto me acontece… mas encavaca-me um pouco. Para não falar que já houve uma vez que também retribui os beijinhos…

Tenho aquela sensação que por este andar ainda combino reuniões com os “as” clientes num bar para uns copos…

Será da minha voz?