Um pouco sobre mim... o lado de fora, bem como o que se passa cá dentro... O testemunho de uma vida sem testemunho... Momentos de alegria e tristeza repletos com reflexões muito ou nada profundos... Um olhar para dentro.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Lição
... acho que a vida me está a querer deixar uma grande lição.
terça-feira, 24 de março de 2009
quinta-feira, 19 de março de 2009
No canto do quarto
Tenho ali num canto do meu quarto uma estrutura metálica de suporte de televisão, sem uso.
Essa estrutura está ali colocada há anos. As suas funções de suporte deixaram de o ser há cerca de 8 ou 9 anos.
A única coisa que aquela estrutura suporta, hoje em dia, é um espanta-espíritos, para funções meramente decorativas.
A televisão deixou de coabitar neste espaço e mudou-se...
No 10º ano, os meus pais ofereceram-me uma TV como prenda... não de aniversário, nem Natal, mas apenas como prenda. Com a televisão veio também o suporte metálico.
Nunca fui grande adepto de televisão. A meu ver a televisão é apenas mais um objecto decorativo. Os programas pouco interessantes, os telejornais sensacionalistas ou os filmes que se repetem, fazem deste objecto algo pouco interessante e de quase nulidade cultural.
A minha atenção prende-se tão pouco à caixa mágica que quando saiu com os meus amigos e vou a qualquer lugar com TV, acabo sempre por me prender no que acontece naquele quadradinho que se encontra na parede. Penso que isto acontece porque o meu cérebro tem uma necessidade suprema de sugar a estupidez máxima que conseguir daquele objecto, antes de perder a oportunidade, de forma a compensar o interesse que demonstro pelo mesmo em casa.
(Este cenário mudou ligeiramente desde que instalei a meo cá em casa, se bem que estou a atingir o meu estado de saturação cada vez mais depressa...).
Voltando ao canto do quarto... Durante anos a TV serviu apenas como biblot tão raras vezes a acendia, ao ponto de um dia ter decidido retira-la definitivamente do quarto e a ter destinado ao fundo da garagem. O suporte contudo ficou, talvez para me relembrar que tive ali uma televisão (ou apenas porque dá um tanto ou quanto de trabalho desprende-lo da parede).
Ficou ali aquele espaço vazio mas contudo discreto, tão discreto que raramente me lembro dele. Até hoje... Hoje voltei a reparar naquele canto e naquela estrutura e pensei que daqui a pouco tempo vai sair dali. Talvez por isso é que perdi alguns minutos a olhar para ela. Um dos elementos caracteristicos do meu quarto vai sair e o canto vai-se tornar banal.
Dentro de poucos dias vai ser remodelada uma das divisões da casa. Com a remodelação a estrutura metálica vai mudar para outro canto da casa e ter a hipótese de voltar às suas funções originais, suportar a televisão que vai ser recuperada do fundo da garagem.
Este quarto contudo continuará sem televisão.
terça-feira, 17 de março de 2009
Dias de sol
Mas como dizia, com o sol (e o calor) tenho aproveitado para sair mais um pouco. O contacto com a Natureza sempre foi algo de que sempre gostei.
Tenho aproveitado os dias de sol para ir passear para a praia.
Gosto de tomar café com os amigos em sítios como este.
Com vista para monumentos nacionais e em lugares agradáveis de se estar e passear. Gosto de sentir a paz de um lugar, deste lugar, de percorrer a pé as ruas de uma vila única e de descobrir os seus cantos, novos cantos.
Gosto de terminar os dias a ver o pôr do sol entre dois dedos de conversa com bons amigos.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Recomeço...

Sei que tenho andado desaparecido, mas não me esqueci deste meu canto...
A questão é que há reflexos meus que não poderão deixar de ser isso mesmo, meus!
Por isso não tenho vindo aqui, pois há pequenos nadas que não quero que deixem de ser meus, que não fiquem expostos, pelo menos por agora.
Os dias continuam a passar e tento seguir a minha vida passo por passo...
Vou tentar recomeçar a vir aqui, pois sinto falta e saudades de pôr aqui o meu dedo.
[imagem daqui]
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
De patins
Não é sobre sexualidade que venho falar, mas sobre algo que foi mencionado nesse debate, que me fez pensar e concluir que é verdade. Muitas pessoas consideram-se pessoas sem tabus e sem preconceitos, contudo ainda não experimentaram tudo o que havia a experimentar e, como tal, sem experimentar não podem afirmar que não têm tabus, pois afinal não têm conhecimento suficiente para poderem tirar tal conclusão. Isto não se aplica apenas a questões se*uais, mas a tudo na vida.
No programa foi mencionado um exemplo em termos de comida. Não podemos afirmar que preferimos o prato A em vez do prato B se nunca provámos o prato B… e isto fez-me pensar que realmente hoje em dia as pessoas têm o hábito de dizer que não gostam de “isto ou daquilo”, mas na realidade não experimentaram. Simplesmente não gostam porque houve alguém que provou ou experimentou e não gostou…
Penso que as pessoas têm um certo receio de experimentar coisas novas… de sair do seu porto seguro, medo de arriscar, medo de experimentar, medo de conhecer…
Isto tudo porque, hoje fui com uma amiga às compras. O objectivo dela era comprar uns patins. Na loja onde fomos só havia patins em linha. E dizia-me ela que não queria patins em linha, mas dos de 4 rodas, porque “gostava mais desses”. Perguntei-lhe se alguma vez tinha experimentado andar nos patins de 4 rodas. Não, apenas queria esses, porque gostava mais desses.
A questão surgiu-me logo na cabeça, se nunca experimentou tal modelo de patins como pode afirmar que gostava mais desses?!? Mas a resposta é apenas porque sim e pronto (ponto).
Concluo que a sociedade de consumo é assim, cada vez menos racional. Compramos as coisas porque sim, porque é giro, porque combina com algo, não porque é mais prático, porque já experimentámos ou porque é útil….
Tenho a sensação que cada vez mais nos tornamos robots.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Despedidas
Dentro do ambiente familiar não me considero um elemento exemplar. Coloco-me sempre à margem de todos os acontecimentos, sou sempre o último a saber de notícias e não primo pelo interesse ou preocupação pelo resto da família. Considero que talvez até tenha uma família relativamente unida, tendo em conta o panorama de outras famílias, mas confesso que me mete confusão só ver tios e primos em momentos menos felizes (hospitais e funerais), mas costumam dizer que as pessoas realmente importantes surgem nestes momentos.
Também nunca imaginei ter alguém emigrante na família. As visitas a Portugal são por períodos temporais contados… e os dias organizam-se por visitas a familiares e amigos. O tempo que se está por casa quase não chega para matar saudades e quando se dá conta é hora de voltar para de onde se veio.
Se rapidamente nos habituamos a pôr mais um prato na mesa porque está cá mais um elemento da família, na hora da despedida é mais difícil voltar a não pôr o tal prato. Se rapidamente recordamos um passado próximo em que vemos o quarto em frente à porta ocupado por aquela pessoa, é difícil voltar a ver aquele quarto vazio quando a pessoa vai embora… mas temos que nos habituar (novamente) e conformar.
Hoje foi dia de despedidas.
E embora seja um elemento “ausente” e distraído desta família, foi engraçado perceber e sentir as despedidas. Hoje foi dia de escola, foi dia de trabalho, foi dia de tarefas diárias; mas cada pessoa, à sua maneira aproveitou o dia ou a véspera para se despedir do viajante. Todos e cada um de nós arranjou um tempinho para se despedir, mesmo quem não se despediu, pois por vezes basta sentir a despedida do que fazê-la. É engraçado sentir esta família, ver a sua preocupação e a sua maneira de agir. É engraçado saber que temos um pouquinho de cada um de nós dentro de nós próprios, que nos une, que faz com que desejemos que o próximo esteja bem e que fique bem.
Hoje foi dia de despedidas.
E passei parte da tarde no Aeroporto da Portela. Em conversas finais, a falar da família, a recordar as “férias de Natal” e os momentos em família. A ver a tia a ser forte e a aproveitar os últimos momentos com a filha, a falar de assuntos banais e a desejar parar o tempo que não pára.
O aeroporto estava repleto de famílias que se despediam, que aproveitavam os seus últimos momentos juntos. A atmosfera era composta por uma alegria triste (se é que isto existe), por uma união e força familiar que dava todo um ar e ambiente natalício aquele lugar.
Apercebo-me que Portugal continua a ser o país de emigrantes que sempre foi e penso que nunca chegará o momento em que o deixará de o ser… a sorte é que com a Era da globalização um adeus naquele aeroporto será muitas vezes (e felizmente) um até já na maior parte dos casos.
Hoje foi dia de despedidas.
E a tia dizia-me, já no regresso a casa, que ia ter de se habituar novamente a pôr menos um prato na mesa, e a não ver a cara da filha lá por casa nos próximos tempos. A contagem decrescente para o regresso começou automaticamente a ser feita na hora em que o avião levantou voo.
Life goes on….
