Todos os dias recebemos vários e-mails, muitos deles do dito spam e há ainda uma boa parte com os "pedidos de ajuda". Sou desconfiado por natureza e, nos dias de hoje, cada vez mais.
Assim, há dias quando recebi um mail a solicitar o envio de livros (ficção, romance, infantis, etc.) para o povo timorense, para os ajudar a perceber um pouco melhor o português, a minha reacção foi desconfiar logo (aparentemente sem qualquer razão, mas não consigo evitar).
Nesse mail vinha o nome de uma pessoa - Joana Santos - que era a pessoa que estava a solicitar os livros. Então, e viva o facebook!!, procurei esta pessoa e consegui contactá-la. A Joana está em Timor desde Outubro e vai ficar lá até ao final deste ano. O pedido dela é verídico e com o único intuito de ajudar os timorenses.
Fui ao sotão procurar os meus livros antigos, aqueles que não leio desde a adolescência, e foi bastante agradável. Cada livro tem a sua história e traz-nos recordações da altura em que o comprámos, quem nos ofereceu, porque comprámos, o que nos fez sentir...
Em 5 minutos consegui escolher uns 7/8 livros que poderiam satisfazer um potencial leitor em Timor Leste e fui directo aos correios. Não foi difícil e no fim fiquei satisfeito comigo mesmo, que é uma sensação óptima!
Poderão fazer a mesma coisa. Transcrevo um excerto do mail:
"Basta dirigirem-se aos correios (CTT) e mandarem uma encomenda tarifa económica para Timor (insistam porque nem todos os funcionários conhecem este tarifário!) e mandam a coisa por 2,49 €.
Claro que a encomenda não pode exceder os 2 quilos para poder ser enviada por este preço.
Devem enviar as encomendas em meu nome (Joana Alves dos Santos) para:
Embaixada de Portugal em Díli
Av. Presidente Nicolau Lobato
Edifício ACAIT
Díli - TIMOR LESTE
E O QUE MANDAR?
Mandem por favor livros de ficção, romances, novela, ensaio, livros infantis etc, etc.
Evitem gramáticas e manuais escolares.
Dicionários, mesmo que um pouquinho desatualizados são bem vindos.
Este critério é meu e explico porquê.
Alguns timorenses (estudantes e não só) são um bocado fixados em aprender gramática mas ainda não têm os skills básicos de comunicação.
Parece-me melhor ideia que possam ler outras coisas, deixar-se apaixonar um bocadinho pelas histórias mesmo que não entendam as palavras todas, do que andarem feitos tolinhos a marrar manuais e gramáticas.
O caso dos dicionários é outro.
Um aluno, por exemplo, usa um dicionário português-inglês para tentar adivinhar o significado das palavras.
Como o inglês dele tb não é grande charuto imaginam como é a coisa."
Vasculhem os vossos livros antigos e dêem-os a pessoas que precisem deles. Não custa (quase) nada!!
Um pouco sobre mim... o lado de fora, bem como o que se passa cá dentro... O testemunho de uma vida sem testemunho... Momentos de alegria e tristeza repletos com reflexões muito ou nada profundos... Um olhar para dentro.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Earth Meditation

No sábado participei num evento denominado "Our Sacred Earth Meditation", neste sitio.
Como o nome indica, foi uma meditação focalizada no planeta Terra, em homenagem às vitimas do terramoto no Haiti.
Esta meditação foi bastante interessante e fez-me tomar consciência de algo que (vergonhosamente) nunca tive. Realmente o planeta azul é a nossa casa e, como engenheiro do ambiente, tenho noção dos impactes negativos que nós, Homens, causamos nesta casa que nos recebe. Contudo, até esta meditação, não me lembro de alguma vez ter agradecido a este planeta o facto de me ter recebido e de me proporcionar tão belas imagens/paisagens.
Penso que, por vezes, falta ao ser humano humildade e consciência própria para perceber que somos apenas moradores, por um curto espaço de tempo, nesta casa e que lhe devemos agradecer a estadia, tal e qual como fazemos quando vamos passar uma temporada a casa de uma tia ou amigo. Para além disso, é uma casa para moradores futuros (próximas gerações), e como tal, devemos cuidar a mantê-la "limpa" para os próximos.
Se cada um de nós fizer a sua parte e tomar consciência do seu lugar neste planeta certamente vamos conseguir ter um melhor lugar onde viver.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Decor
Há alguns meses atrás, com a saida da minha irmã cá de casa, transformei o quarto dela num escritório. Um espaço que se tornou só meu e que aos poucos fui tentando decorar.
No Verão decidi comprar umas molduras simples e baratas e mais uma latinha de tinta preta. O objectivo? pintar as molduras e colocá-las na parede do escritório. Isto foi no Verão, mas só há 3 fins-de-semana atrás é que realmente pintei as molturas.
Depois faltava pendurá-las. Isso... isso só foi feito hoje e porque já estava com vergonha de adiar mais um dia o simples acto de pregar uns pregos na parede.
O resultado foi de meu agrado! No fim acho que a parede ficou com outro ar, mais pessoal, mais giro, agradável.

Fotografias nas molduras? Pois... isso só lá para depois do Natal, diria mesmo para depois do ano novo (ao menos sou realista, ok?!)
No Verão decidi comprar umas molduras simples e baratas e mais uma latinha de tinta preta. O objectivo? pintar as molduras e colocá-las na parede do escritório. Isto foi no Verão, mas só há 3 fins-de-semana atrás é que realmente pintei as molturas.
Depois faltava pendurá-las. Isso... isso só foi feito hoje e porque já estava com vergonha de adiar mais um dia o simples acto de pregar uns pregos na parede.
O resultado foi de meu agrado! No fim acho que a parede ficou com outro ar, mais pessoal, mais giro, agradável.
Fotografias nas molduras? Pois... isso só lá para depois do Natal, diria mesmo para depois do ano novo (ao menos sou realista, ok?!)
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Ciclovia
Adoro descobrir pequenas pérolas e ver o estado do nosso país. Somos e sempre seremos aquele canto da Europa que quer viver da imagem e do parecer bem.
Parecemos aquelas “tias de Cascais” que não têm onde cair mortas, mas usam a sua imitação de vison e tratam toda a gente por você.
Mas não é às “tias” que quero dar tempo de antena… mas a certas e determinadas obras de Lisboa que nos fazem pensar… é mesmo necessário complicar algo que pode até ser bastante simples?
Aqui.
Parecemos aquelas “tias de Cascais” que não têm onde cair mortas, mas usam a sua imitação de vison e tratam toda a gente por você.
Mas não é às “tias” que quero dar tempo de antena… mas a certas e determinadas obras de Lisboa que nos fazem pensar… é mesmo necessário complicar algo que pode até ser bastante simples?
Aqui.
domingo, 23 de agosto de 2009
Clean-up project
No outro dia enviaram-me este video por e-mail...
Fez-me pensar... Será que um dia conseguiremos fazer isto em Portugal?
Fez-me pensar... Será que um dia conseguiremos fazer isto em Portugal?
quarta-feira, 17 de junho de 2009
estória para reflectir
"Uma noite, um pai estava descontraidamente a ler o jornal, depois de um longo dia de trabalho. O filho, que queria brincar, não parava de incomodá-lo. Por fim, farto, o pai cortou uma fotografia do globo que vinha no jornal e rasgou-a em mil pedacinhos. «Toma, filho, agora diverte-te a refazer o puzzle», disse ele, na esperança de que isso ocupasse a criança o tempo suficiente para ele acabar de ler o jornal. Para espanto seu, o filho voltou uns minutos depois com o globo perfeitamente reconstruido. Quando o pai, estupefacto, lhe perguntou como é que ele conseguira aquela façanha, o filho sorriu e disse: «Pai, do outro lado da página estava uma fotografia de uma pessoa e, assim que consegui montar as peças da pessoa, o mundo ficou direitinho»".
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Experiências
A vida é feita de experiências. Um conjunto de vivências únicas. De momentos e acontecimentos. De caminhos e percursos desconhecidos que nós nunca imaginamos.
Ao longo da minha vida ouvi sempre aquela expressão "nunca digas desta água não beberei". A minha curta experiência veio-me sempre ensinando que esta expressão não poderia ser mais verdadeira.
Desde o preparatório, aquela altura em que começam a surgir na escola a apresentação dos trabalhos de grupo, que disse para mim mesmo que seguir a profissão de professor está fora de questão.
Com o passar do tempo essa ideia veio-se a comprovar como muito acertada.
O martírio de estar em frente a uma plateia era demasiado grande. O stress começava logo na véspera da apresentação com uma noite mal dormida. Com o inicio da exposição do trabalho/aula surgiam as mãos suadas, a falta de voz, o tremer constante com os nervos e as brancas de memória que tornavam aquela apresentação de 10-15min. no meu maior pesadelo.
A fobia era tão grande que se tivesse que fazer uma apresentação de 30min. ela ficaria facilmente reduzida a metade do tempo. Tirando as brancas de memória que ia tendo pelo caminho, dizia tudo o que estava previsto mas com o triplo da velocidade recomendada.
Se tinha esperança que esta fobia fosse desaparecendo com o passar dos anos, tal não aconteceu. Os meus sintomas de pânico eram praticamente os mesmos no último ano de faculdade em comparação com o 1º ano de preparatório.
Contudo, com o final da faculdade, decidi investir num curso de formação inicial de formadores. Não tanto com o interesse de envergar pela área da formação, pois tal área me pregava (e ainda prega) arrepios na espinha, mas mais no sentido psico-terapêutico de controlar o meu stress e ansiedade quando me encontro perante uma plateia.
Digamos que o curso foi uma terapia excelente e vim de lá com uma maior confiança e à vontade para debater ideias e me expor em frente a uma audiência.
A minha vida profissional acabou por se desenvolver num sentido em que a formação se encontrava intrínseca na actividade que praticava. Embora uma actividade intrínseca, nunca me vi como um formador/ professor, uma vez que só realizava acções de formação muito pontualmente.
É quando me surge o convite para ser formador no auge de todas as suas competências que caiu em mim e tomo consciência da responsabilidade que me pedem.
Os receios, os medos e as incertezas voltam a surgir como se estivessem apenas escondidos atrás de uma cortina dentro de mim.
Mas o modo como encaro esses medos e receios mudou. Continuo a sentir um pequeno nó no estômago, mas nada muito intenso. Já não me tremem as mãos, o coração já não arranca a 1000 km/h e já não me falta a voz.
Aprendi a encarar os projectos que me surgem no percurso como degraus que me permitem crescer e a ver cada projecto como uma batalha que me permitirá superar a mim mesmo e vencer. Isso dá-me ânimo para tentar e arriscar.
É nisto tudo que penso quando percorro o corredor daquela escola e me vejo pela primeira vez do outro lado, como formador e não como aluno. Quem diria?
Ao longo da minha vida ouvi sempre aquela expressão "nunca digas desta água não beberei". A minha curta experiência veio-me sempre ensinando que esta expressão não poderia ser mais verdadeira.
Desde o preparatório, aquela altura em que começam a surgir na escola a apresentação dos trabalhos de grupo, que disse para mim mesmo que seguir a profissão de professor está fora de questão.
Com o passar do tempo essa ideia veio-se a comprovar como muito acertada.
O martírio de estar em frente a uma plateia era demasiado grande. O stress começava logo na véspera da apresentação com uma noite mal dormida. Com o inicio da exposição do trabalho/aula surgiam as mãos suadas, a falta de voz, o tremer constante com os nervos e as brancas de memória que tornavam aquela apresentação de 10-15min. no meu maior pesadelo.
A fobia era tão grande que se tivesse que fazer uma apresentação de 30min. ela ficaria facilmente reduzida a metade do tempo. Tirando as brancas de memória que ia tendo pelo caminho, dizia tudo o que estava previsto mas com o triplo da velocidade recomendada.
Se tinha esperança que esta fobia fosse desaparecendo com o passar dos anos, tal não aconteceu. Os meus sintomas de pânico eram praticamente os mesmos no último ano de faculdade em comparação com o 1º ano de preparatório.
Contudo, com o final da faculdade, decidi investir num curso de formação inicial de formadores. Não tanto com o interesse de envergar pela área da formação, pois tal área me pregava (e ainda prega) arrepios na espinha, mas mais no sentido psico-terapêutico de controlar o meu stress e ansiedade quando me encontro perante uma plateia.
Digamos que o curso foi uma terapia excelente e vim de lá com uma maior confiança e à vontade para debater ideias e me expor em frente a uma audiência.
A minha vida profissional acabou por se desenvolver num sentido em que a formação se encontrava intrínseca na actividade que praticava. Embora uma actividade intrínseca, nunca me vi como um formador/ professor, uma vez que só realizava acções de formação muito pontualmente.
É quando me surge o convite para ser formador no auge de todas as suas competências que caiu em mim e tomo consciência da responsabilidade que me pedem.
Os receios, os medos e as incertezas voltam a surgir como se estivessem apenas escondidos atrás de uma cortina dentro de mim.
Mas o modo como encaro esses medos e receios mudou. Continuo a sentir um pequeno nó no estômago, mas nada muito intenso. Já não me tremem as mãos, o coração já não arranca a 1000 km/h e já não me falta a voz.
Aprendi a encarar os projectos que me surgem no percurso como degraus que me permitem crescer e a ver cada projecto como uma batalha que me permitirá superar a mim mesmo e vencer. Isso dá-me ânimo para tentar e arriscar.
É nisto tudo que penso quando percorro o corredor daquela escola e me vejo pela primeira vez do outro lado, como formador e não como aluno. Quem diria?
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